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sábado, 28 de março de 2009

Em casa de ferreiro, diz o ditado, o espeto é de pau...


Pois o centenário prédio do Iphan, na Av. Rio Branco 46, guardião do patrimônio histórico e cultural brasileiro, está carente de restauração.

Veja na foto. A ponto de a 8ª Turma Especializada do TRF ter determinado que a União banque sua recuperação. O edifício, erguido no início do século XX e tombado em 1978, está caindo aos pedaços. A restauração incluirá limpeza de pichações, retirada de aparelhos de ar condicionado da fachada, troca de esquadrias danificadas por cupins, recuperação das paredes ornamentadas e dos revestimentos deteriorados.

O Iphan terá de executar a obra em seis meses. Se a União descumprir a ordem, pagará multa diária a ser definida pela Justiça Federal.


Fonte: Coluna Ancelmo Góis - O Globo - 28/03/09.


Reformas dentro e fora



A Escola de Artes Visuais será restaurada e vai oferecer cursos grátis

Projetado nos moldes das vilas italianas pelo arquiteto Mario Vodrel, o Palacete dos Lage, no Jardim Botânico, sempre teve estreita ligação com a cultura. Saraus eram frequentemente promovidos pela mezzo soprano romana Gabriella Besanzoni (1888-1962) a partir dos anos 20, logo depois de seu marido, o armador Henrique Lage (1881-1941), ter concluído a mansão em estilo eclético. Quatro anos após a morte dela, o imponente pátio com arcadas de pedra de cantaria passou a receber os alunos do Instituto de Belas Artes, transformado em 1975 por Rubens Gerchman (1942-2008) na Escola de Artes Visuais (EAV). Com quase 34 anos de funcionamento, alguns deles em dificuldades financeiras, a instituição que formou bem-sucedidos artistas da chamada Geração 80, como Beatriz Milhazes, está recebendo um novo impulso.

Para a restauração do imóvel, o governo estadual liberou 7 milhões de reais. O projeto do arquiteto Rodrigo Azevedo tem o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Instituto Estadual do Patrimônio Artístico Cultural. "A previsão de início das obras é setembro. Estamos na fase de detalhar o projeto e o cronograma, já que as aulas não serão interrompidas", afirma Adriana Rattes, secretária estadual de Cultura, que abrirá licitação para a escolha da empreiteira no início do segundo semestre. Em etapa posterior, estão previstas a reconstituição do jardim projetado pelo paisagista inglês John Tyndale em 1840 e a construção de um anexo.


A mudança mais radical será realizada na cobertura. Além da impermeabilização, a área terá dois toldos de lona, medindo 150 metros quadrados cada um. No lado esquerdo ficarão as mesas do bistrô, que funciona no térreo e ganhará uma escada. No direito, uma área destinada a aulas, palestras e lançamentos de livros. "A escola não é apenas para formação de artistas, mas também de técnicos, curadores e historiadores de arte", diz Claudia Saldanha, que assumiu a direção da EAV em outubro. Outra modificação será a transferência da biblioteca – que atualmente mantém seus 6 000 títulos sobre arte moderna e contemporânea em uma pequena sala ao lado da cantina – para o vistoso auditório. As prateleiras ficarão em um mezanino que circundará o salão.


Também há novidades na área pedagógica. Além de ter concedido 100 bolsas para cinco cursos de verão, entre janeiro e fevereiro, a EAV abriu inscrições para mais 240 vagas gratuitas em seis disciplinas de graduação. Dependendo da carga horária, cada uma delas custa entre 150 e 250 reais por mês. As turmas aprenderão Teoria e História da Arte, Estudos do Plano e outras especialidades, no período de 6 de abril a 31 de julho, com nomes como Fernando Cocchiarale, Afonso Tostes e Daniel Senise. Há ainda a exigência de contrapartida no aluguel da propriedade para produções como Os Mercenários, longa-metragem com roteiro e direção de Sylvester Stallone, que será rodado ali na primeira quinzena de abril. "Seis bolsistas do curso de verão estão trabalhando na pré-produção da cenografia junto com a equipe que reproduz ambientes do palacete a ser destruídos em uma cena de explosão", revela Claudia Saldanha. "Nossa ideia é que a EAV volte a cumprir seu papel de escola pública para quem tem mérito, talento e desejo de aprender arte", frisa Adriana Rattes. O Rio agradece.


Fonte: Veja Rio - 01 de Abril de 2009